segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Confidências para a chuva.

Ó chuva: suje meus sapatos e limpe minha alma.

A torrente de teus olhos.

Traiçoeiras lágrimas faziam festa ao salientar o par de olhos marejados. Marcavam o rosto com a notável coloração da dor e escorriam, descendo ligeira e suavemente. Cada lágrima expulsada era uma pequena dor em forma de agulha retirada de seu coração.  E com o tempo o choro tornou-se exorcização daquele coração enfermo. Respirava ao sentir alívio, até que tornava-seleve como se tivesse em si todo o ar que sempre lhe faltara. Ela fazia disso um hábito, dáva-lhes o coração para os maus-tratos e retirava suas agulhas bem baixinho antes de dormir. E ela bem sabia que este tratamento era provisório, mas nem ligava, nem ligava.

Soneto do Dia e da Noite.

Esse sol de fim de tarde engana de forma sacana
a todos aqueles que esperam estender por mais tempo
O contentamento do ócio e inutilidade.
Que contrariam a vontade de uma redenção dos hábitos sem valor.

O Sol ainda se espreguiça quase fraco, já se indo
nas sonoras luzes que o dia possui.
Ó meu dia! Porque me enganas em tua teia de mentiras?
Já são seis da noite e nada fiz senão bobeirices...

Porque tratas-me assim noite?
Que já se veio tão depressa,
sem atrasos ou esperas.

Porque feres minha esperança se é dela que te alimentas?
Porque deixa-me ao léu de teu glorioso céu que se atreve a estrelar
 enquanto transcrevo senão minhas mazelas?

domingo, 4 de dezembro de 2011

E esse tal sofrer?


E que atire a primeira pedra quem nunca sofreu de amor. Quem nunca chorou apesar de ser uma pedra e quem nunca se correspondeu com músicas de dor de cotovelo. O desamor é tão inevitável quanto o amor; são fatos certos na vida. Você vai amar, e vai se decepcionar. Mas num dado momento da sua vida, talvez naquele em que você não quiser mais acreditar no tal do amor e não quiser vê-lo nem pintado de ouro, ele vai chegar. Com um belo sorriso e um cartão de visitas dizendo "Bem vinda ao amor de novo, meu bem". O que não vai estar no cartão com certeza é "Bem vinda aos sofrimentos, aos choros, as decepções." Até porque ninguém que se preze vai advogar contra a própria causa. Você vai sofrer sim, vai se decepcionar. Mas vai chegar um momento que isso vai começar a valer a pena na verdade. Porque o amor não é pra ser perfeito, ele tem que ser verdadeiro. Estar a dois é deixar-se comeplemente nu; não no sentido literal da palavra. Mas pôr-se sem fingimentos, sem o Muro de Berlim que você faz questão de botar pra afastar as pessoas do teu tal "Universo Particular". É o momento em que sua cabeça se expande de tal maneira, e seu coração também. E você vai voltar a gostar das velhas músicas chatas de novo e se corresponder com cada uma delas. Mas a gente vai levando, de um jeito ou de outro; com amor ou sem ele. Sofrer faz parte da vida meu amigo, ah se faz!



Deixando o passado passar.


Percebi que tenho extremo apego ao passado.
Ao que era, as coisas que costumava ser, o jeito que andava,
o jeito que olhava o mundo e que o mundo olhava para mim.
Pego-me na incessante sina de rondar o passado de vez em quando,
sinto falta de mim. Sinto falta do meu otimismo com tudo,
ou do meu poder de iludir-me por me achar otimista.
Na verdade nunca fui otimista, mas sempre sonhei demais.
Acho que de todas as coisas que mudei em mim( e por certo irei mudar) essa
é uma que sei que é improvável que desfaleça nos acordes da minha vida.
Lembro-me do meu amor platônico, das minhas pernas bambas
e mãos inquietas. Lembro de meu jeito acanhado e minhas bochechas
coradas. E me lembro dele que arrancava-me sem dó o fôlego
de meus pulmões, que era objeto de improváveis sonhos em
tardes chuvosas. Apenas dele que marcou minha vida, e possivelmente
nem saiba[...] E apesar do profundo descontentamento em que
me encontrei de não ver que nossas vidas se entrelaçaram em algum
instante no plano do acaso, espero que ele esteja bem.
Pelo menos em minha mente, o mantenho aquecido nos braços
 de minha própria lembrança.

Gostos.


Gosto do fictício, do quase, do talvez, da incerteza,
do fantasioso, do inexistente. Gosto de felicidades instantâneas
que são quase cruéis quando se vão. Gosto de nutrir amizades
imaginárias, sorrir sozinha a noite por que quase falei.
Mas é uma pena que tudo isso doa tanto quando se abre os
olhos para ver a realidade do desfile de fatos que transcorrem
por nossos olhos. A claridade é forte eu sei, mas ela sempre
 vem pela manhã.




 

Notas de uma aprendiz.



Agir com a cabeça torna-te um gênio,
agir com o coração torna-te humano.