Percebi que tenho extremo apego ao passado.
Ao que era, as coisas que costumava ser, o jeito que andava,
o jeito que olhava o mundo e que o mundo olhava para mim.
Pego-me na incessante sina de rondar o passado de vez em quando,
sinto falta de mim. Sinto falta do meu otimismo com tudo,
ou do meu poder de iludir-me por me achar otimista.
Na verdade nunca fui otimista, mas sempre sonhei demais.
Acho que de todas as coisas que mudei em mim( e por certo irei mudar) essa
é uma que sei que é improvável que desfaleça nos acordes da minha vida.
Lembro-me do meu amor platônico, das minhas pernas bambas
e mãos inquietas. Lembro de meu jeito acanhado e minhas bochechascoradas. E me lembro dele que arrancava-me sem dó o fôlego
de meus pulmões, que era objeto de improváveis sonhos emtardes chuvosas. Apenas dele que marcou minha vida, e possivelmente
nem saiba[...] E apesar do profundo descontentamento em queme encontrei de não ver que nossas vidas se entrelaçaram em algum
instante no plano do acaso, espero que ele esteja bem.
Pelo menos em minha mente, o mantenho aquecido nos braços
de minha própria lembrança.


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