Ó chuva: suje meus sapatos e limpe minha alma.
Enquanto usarmos nossas noites "não apenas para descansar", podemos sonhar e sermos passáros livres que sonhamos ser. Livres das preocupações e medos que o chão nos trás, recusando o rastejar dos dias em cima de nossas próprias limitações. Quando voamos vemos de cima e abrimos a oportunidade de enxergar infinitas possibilidades. Quando se sonha, pairamos no ponto mais alto e belo de nosso ser: A nossa liberdade. Permita-se voar...(Jessica Assis)
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
A torrente de teus olhos.
Traiçoeiras lágrimas faziam festa ao salientar o par de olhos marejados. Marcavam o rosto com a notável coloração da dor e escorriam, descendo ligeira e suavemente. Cada lágrima expulsada era uma pequena dor em forma de agulha retirada de seu coração. E com o tempo o choro tornou-se exorcização daquele coração enfermo. Respirava ao sentir alívio, até que tornava-seleve como se tivesse em si todo o ar que sempre lhe faltara. Ela fazia disso um hábito, dáva-lhes o coração para os maus-tratos e retirava suas agulhas bem baixinho antes de dormir. E ela bem sabia que este tratamento era provisório, mas nem ligava, nem ligava.
Soneto do Dia e da Noite.
Esse sol de fim de tarde engana de forma sacana
a todos aqueles que esperam estender por mais tempo
O contentamento do ócio e inutilidade.
Que contrariam a vontade de uma redenção dos hábitos sem valor.
O Sol ainda se espreguiça quase fraco, já se indo
nas sonoras luzes que o dia possui.
Ó meu dia! Porque me enganas em tua teia de mentiras?
Já são seis da noite e nada fiz senão bobeirices...
Porque tratas-me assim noite?
Que já se veio tão depressa,
sem atrasos ou esperas.
Porque feres minha esperança se é dela que te alimentas?
Porque deixa-me ao léu de teu glorioso céu que se atreve a estrelar
enquanto transcrevo senão minhas mazelas?
a todos aqueles que esperam estender por mais tempo
O contentamento do ócio e inutilidade.
Que contrariam a vontade de uma redenção dos hábitos sem valor.
O Sol ainda se espreguiça quase fraco, já se indo
nas sonoras luzes que o dia possui.
Ó meu dia! Porque me enganas em tua teia de mentiras?
Já são seis da noite e nada fiz senão bobeirices...
Porque tratas-me assim noite?
Que já se veio tão depressa,
sem atrasos ou esperas.
Porque feres minha esperança se é dela que te alimentas?
Porque deixa-me ao léu de teu glorioso céu que se atreve a estrelar
enquanto transcrevo senão minhas mazelas?
domingo, 4 de dezembro de 2011
E esse tal sofrer?
Deixando o passado passar.
Percebi que tenho extremo apego ao passado.
Ao que era, as coisas que costumava ser, o jeito que andava,
o jeito que olhava o mundo e que o mundo olhava para mim.
Pego-me na incessante sina de rondar o passado de vez em quando,
sinto falta de mim. Sinto falta do meu otimismo com tudo,
ou do meu poder de iludir-me por me achar otimista.
Na verdade nunca fui otimista, mas sempre sonhei demais.
Acho que de todas as coisas que mudei em mim( e por certo irei mudar) essa
é uma que sei que é improvável que desfaleça nos acordes da minha vida.
Lembro-me do meu amor platônico, das minhas pernas bambas
e mãos inquietas. Lembro de meu jeito acanhado e minhas bochechascoradas. E me lembro dele que arrancava-me sem dó o fôlego
de meus pulmões, que era objeto de improváveis sonhos emtardes chuvosas. Apenas dele que marcou minha vida, e possivelmente
nem saiba[...] E apesar do profundo descontentamento em queme encontrei de não ver que nossas vidas se entrelaçaram em algum
instante no plano do acaso, espero que ele esteja bem.
Pelo menos em minha mente, o mantenho aquecido nos braços
de minha própria lembrança.
Gostos.
Gosto do fictício, do quase, do talvez, da incerteza,
do fantasioso, do inexistente. Gosto de felicidades instantâneas
que são quase cruéis quando se vão. Gosto de nutrir amizades
imaginárias, sorrir sozinha a noite por que quase falei.
Mas é uma pena que tudo isso doa tanto quando se abre os
olhos para ver a realidade do desfile de fatos que transcorrem
por nossos olhos. A claridade é forte eu sei, mas ela sempre
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